Em Junho mudei-me para Portimão, sendo o culminar de um longo processo pessoal e profissional de auto-conhecimento. Os próximos meses serão de adaptação.

Quando iniciei a aventura do empreendedorismo há quase seis anos não sabia onde este caminho me levaria, mas aceitei o desafio. Passei por situações pessoais delicadas que me fizeram questionar toda a minha «formatação» inicial de mulher portuguesa nascida e criada num meio pequeno. Coloquei em causa todas as expectativas dos outros. Tomei as rédeas da minha vida, quando o mais fácil seria continuar. Agora sinto que chegou a hora de fazer algo por mim, de me valorizar.

Hoje olho para trás e vejo, com humildade e seriedade, ainda tenho muito para fazer e para aprender. Tenho consciência do quanto trabalhei para chegar aqui e das contas que tenho para pagar. Da responsabilidade e do amor que sinto enquanto mãe. Da educação, do exemplo e do legado que quero deixar à minha filha.

No último ano tenho vindo a trabalhar o mindset. Até à data sempre me desviei do meu caminho para agradar aos outros. Típico. Agora observo mais o comportamento das pessoas. Se é difícil acompanhar um homem empreendedor, ora imaginem uma mulher empreendedora!

Quero provar a mim própria que não é preciso estar em Lisboa para fazer acontecer. Eu posso ir a Lisboa sempre que for preciso, mas quero ter qualidade de vida no dia-a-dia. As pessoas criativas precisam de combustível, de inspiração, e o stress anula o lado criativo das pessoas.

Deixar Lisboa e mudar-me para o Algarve foi uma decisão muito ponderada e reforçada mais recentemente. Quando estava em Cantanhede queria ir para Lisboa. Fui estagiar aos vinte e poucos no Canal Notícias de Lisboa e depois trabalhei um ano na TSF Online. Acabei por viver, trabalhar e estudar em Lisboa mais de uma década, repleta de experiências e ensinamentos. Comprei casa, porque cheguei a acreditar que ia ficar por lá.

Quando pensei em criar uma família, apercebi-me que não tinha qualquer apoio na capital e o ritmo de vida era stressante para pais e filhos: longas horas na creche/jardim de infância/escola, longas horas nas filas de trânsito, pouca paciência… E na altura, a vida que levava em Lisboa estava a fazer-me mal à saúde. Aquele stress e ansiedade começaram a traduzir-se em sintomas físicos.

«Vou mas é para o Algarve, que lá está mais quentinho».🌞 E assim fiz. Despedi-me da empresa onde estava e criei a Inboundware em Setembro de 2013 e tive uma filha em Setembro de 2014.

Porquê Portimão?

Portimão é uma cidade onde consegues ter uma qualidade de vida muito boa ao longo de todo o ano. Quando cheguei à Startup Portimão como empreendedora, em Janeiro de 2018, fui-me apercebendo que toda a gente já se conhecia e eu era a forasteira. Tipo «new kid in town». Essa sensação não me era estranha, uma vez que mudei várias vezes de casa. Ainda estou a aprender os lugares menos turísticos, menos massificados, o lado mais genuíno do Algarve. Tenho vindo a conhecer pessoas com gostos mais parecidos com os meus.

Aos 42 anos estou num ponto em que me sinto no auge do conhecimento, da experiência e da energia. Basicamente, quero curtir a vida e fazer coisas de que me orgulhe. Portimão posiciona-se bem nestes propósitos.

A vida é muito fugaz. A minha mãe faleceu aos 47 anos, quando eu tinha 27 anos, e ela era a minha bússola. Dou por mim a repetir expressões dela e a recordar as nossas conversas. Ela foi a minha primeira mentora, o meu primeiro e grande exemplo de liderança feminina. Uma frase que a minha mãe repetia muito era: eu só quero paz e sossego. A agora sou capaz de perceber melhor algumas coisas que ela dizia. Estou a aproveitar as pequenas maravilhas da vida e a dar atenção à minha filha nesta fase da infância, numa ginástica entre dar todo o mimo possível, impor limites e dar uma boa educação. Tudo o resto é lucro.

  • Estou a contribuir, à minha maneira, para termos um Algarve ativo o ano inteiro com a Startup Portimão
  • Estou a cuidar do meu mindset para evoluir e melhorar os meus resultados da Inboundware, para sair do meu perfil de técnica e passar a ser, cada vez mais, gestora e comercial (algo que não vem com naturalidade).
  • Estou a querer produzir mais conteúdo próprio, depois de um período muito longo de falta de motivação.
  • Estou a cuidar mais de mim, com mais atenção à alimentação e atividade física.

Ao nível da Inboundware (que está a fazer 6 anos 😁), quero construir uma equipa de trabalho aqui em Portimão, onde possamos todos deixar fluir a criatividade e trabalhar para o mundo. Tenho uma visão para a empresa para quando ela fizer 10 anos, agora preciso de foco e persistência para a tornar realidade. Estar na Startup Portimão proporcionou-me a estrutura de que precisava para colocar em prática as minhas ideias num espaço muito agradável e com pessoas dentro da mesma onda de pensamento.

Vídeo da autoria de Raquel Martins. Ainda vamos ouvir falar dela no futuro…