Paixão e capacidade de execução são fundamentais no empreendedorismo

Pedro-Rocha-Vieira

Em entrevista a este blog, Pedro Rocha Vieira, co-fundador e presidente da associação Beta-i, deixa-nos várias ideias fundamentais para qualquer negócio que se queira lançar neste momento, assim como resume  a actividade da jovem associação a que pertence, que tem dinamizado várias iniciativas, entre elas o Silicon Valley comes to Lisbon.

O que é preciso para ser associado da Beta-i? Quais são as vantagens, para quem quer iniciar um negócio em Portugal, em ser associado da Beta-i?

(PRV) A Beta-i é composta, actualmente, por 38 associados dinâmicos e multidisciplinares, que veem na Beta-i uma plataforma para poderem concretizar o seu papel no apoio ao empreendedorismo, através da participação como voluntários e mentores nas actividades da Beta-i.

Os novos associados têm de ser indicados pelos actuais associados. Os empreendedores que participam nas iniciativas da Beta-i não necessitam de ser associados.

De que resultados práticos se orgulha a Beta-i de ter alcançado?

(PRV) Quando falamos de promoção do empreendedorismo estamos a falar de processos longos e de uma actividade de persistência e coerência ao longo do tempo. No entanto, apesar da Beta-i ser uma organização recente, foi constituída formalmente em Junho de 2010, acreditamos já ter conseguido atingir alguns resultados práticos relevantes.

Na área dos eventos fomos pioneiros na realização do primeiro TEDxEdges, que já vai na 3ª edição, promovemos a realização de dezenas de Start-Up Coffees por todo o país, realizamos 11 Beta-Talks, eventos que são já uma referência na comunidade de empreendedorismo lisboeta.

Estamos a realizar a primeira edição do Silicon Valley comes to Lisbon, em parceria com o Silicon Valley comes to UK e com a Semana Global do Empreendedorismo e conseguimos trazer o para Lisboa o evento anual de uma das melhores redes mundiais de empreendedorismo mundial, a SandBox Network. No total, conseguimos mobilizar, no prazo de pouco mais de um ano, mais de 2.500 pessoas para os nossos eventos.

Na área dos aceleradores de start-ups, que é a nossa actividade principal, conseguimos trazer para Portugal o StartUp Weekend, um programa de referência a nível mundial, tendo realizado no prazo de um ano 4 edições com quase 300 empreendedores participantes, de onde resultaram dezenas de novas ideias de negócio, tendo algumas delas passado a empresas concretas.

Criámos o Beta-Start, um programa de aceleração de um mês, que é provavelmente a referência a nível nacional, onde envolvemos mais de 45 pessoas e através do qual apoiamos 23 startups, estando algumas delas em fase de lançamento, outras de investimento e venda.

Estamos também a planear e a desenvolver para 2012, o primeiro acelerador de 3 meses nacional, inspirado no modelo Tech Stars, que será o primeiro a nível mundial focado no cluster dos transportes e mobilidade.

Estamos também a dar os primeiros passos para a replicação do modelo do Start-Up Chile, a ser implementado em Portugal em 2013. Na área da incubação, animamos durante vários meses uma incubadora em parceria com a NVV e vamos agora ser parceiros da CML na nova incubadora de Lisboa (Startup Lisboa).

Para 2012 temos um plano de actividade muito ambicioso. Temos também conseguido estabelecer um conjunto de parcerias bastante relevante e conseguimos uma notoriedade importante, que tem contribuindo para o papel catalisador e mobilizador que a Beta-i começa a conseguir ter, na área do empreendedorismo em Portugal.

Como podem os portugueses serem empreendedores na actual conjuntura do país?

(PRV) Os momentos de crise são, na verdade, momentos de grande oportunidade, pois são momentos em que se põe em questão os modelos actuais e em que é possível propor novas alternativas. São também momentos em que existem mais recursos humanos disponíveis e a um preço mais acessível, em que muitos dos custos com o imobiliário descem, e em que os investidores têm uma maior necessidade de novos projectos.

No entanto, empreender é sempre uma actividade complexa e com um elevado grau de insucesso. É também necessário perceber que existem diferentes tipos de empreendedorismo, desde o social, o inclusivo, o auto-emprego, às pequenas e médias empresas até ao empreendedorismo de alto crescimento.

Para se empreender em qualquer país, é necessário em primeiro lugar ter-se uma excelente equipa, é muito importante encontrarmos co-fundadores que nos complementem e com quem tenhamos sinergias, que não são necessariamente os nossos amigos. É também preciso ter uma boa proposta de valor, mas acima de tudo uma boa capacidade de execução e de ter uma ideia muito clara sobre o negócio onde estamos a entrar e o que de facto é necessário para conseguirmos vencer.

Na minha opinião é necessário alguma colaboração e a capacidade de saber ouvir e pedir sugestões a quem sabe mais do que nós e estar atento também aos nosso clientes. É importante também ter uma noção das responsabilidades que se escorre ao abrir uma empresa, as obrigações legais e fiscais, e compreender a responsabilidade que assumimos perante terceiros. É preciso um bom auto conhecimento e uma capacidade de persistência.

A capacidade de resistir a facilitismos e de ter uma enorme contenção nos gastos iniciais. É preciso termos uma boa rede e sabermos vender, pois a angariação de novos clientes é a única forma de um negócio ter sustentabilidade.

Por outro lado, é preciso sabermos colocarmo-nos nos pés dos outros e sabermos comunicar correctamente as nossas ideias, nomeadamente com os investidores e com os nossos clientes. Apesar existir de facto uma grande crise de liquidez nos bancos, existe ainda algum dinheiro disponível para novos projectos, principalmente para projectos mais inovadores e/ou de maior valor acrescentado.

Na conjuntura actual, acima de tudo é necessário mais contenção, mais cuidado e mais planeamento e também saber pensar global e perceber que o mercado nacional é insuficiente para a maioria dos negócios potenciais.

As iniciativas que organizam, como o Silicon Valley comes to Lisbontêm certamente servido para avaliar o estado actual do empreendedorismo em Portugal. Como caracteriza o actual perfil do empresário português, nas suas virtudes e limitações?

(PRV) Existem em Portugal muitos excelentes empreendedores, existem empresas muito boas, com elevada competência e conhecimento. Os portugueses são hoje em dia, profissionais muito mais cosmopolitas, internacionais e qualificados.

O empreendedor português actual está a alterar-se muito e, felizmente, já não se restringe a um só perfil, existe uma multiplicidade muito rica de diferentes empreendedores que permite uma maior criatividade e inovação dos projectos.

No entanto empreendedor português ainda é excessivamente individualista e emocional, o que por vezes não lhe permite reunir os recursos e ter a flexibilidade para conseguir aproveitar as oportunidades que se lhe apresentam. Na sua maioria, os empreendedores portugueses não pensam suficientemente global e sobrevalorizam a ideia face à execução.

Que conselhos pode dar às pessoas que querem lançar um negócio neste momento?

(PRV) Grande parte dos conselhos já dei na segunda questão. Mas, acrescentaria que para quem está a pensar lançar um negócio, concorrer a programas de aceleração como os da Beta-i, ou outros, são um excelente primeiro passo.

Diria também para terem a flexibilidade necessária para deixarem adaptar os seus projectos para algo com mais potencial e para desvalorizarem a importância da ideia face a importância da capacidade de execução.

Percebam se estão de facto apaixonados pelo que querem fazer, pois a vida de empreendedor, apesar de mais flexível, é bastante mais exigente em termos de dedicação e desgaste pessoal.

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