Sites de comer e chorar por mais: dos blogs aos restaurantes

O que vou fazer para o jantar ou para aquela refeição especial que tenho em mente? A primeira coisa que faço é pensar no que tenho em casa e pesquisar por ingredientes e os motores de busca devolvem milhares de resultados. Vamos jantar fota hoje? Que restaurante escolher? A internet veio revolucionar a forma como se lida com as refeições, pelo menos para as pessoas mais jovens. Como estão os negócios a explorar o efeito visual e interativo que o smartphone proporciona?

Na minha infância na aldeia, os meus mestres foram a minha avó, o meu pai e um livro de culinária com mais de 800 páginas que quase destruí com tanto uso: O Mestre Cozinheiro, de Laura Santos. Aquilo é que era um manual! Tinha algumas considerações ideológicas sobre como a mulher deveria estar na cozinha, mas isso é outra história. Estaremos a falar de uma edição com mais de 30 anos…

Lembro-me que quando era a época de um ingrediente qualquer, lá andávamos nós a comer todas as variantes possíveis e imaginárias desse legume ou fruto. É fácil de imaginar: na época das favas começávamos por uma sopa de favas e depois era favas com chouriço ou com bacalhau. Na altura reclamava com a minha avó, que só faltava acabar com pudim de favas. A sorte é que a minha avó cozinhava muito bem. Só assim conseguíamos ser mais pacíficos quanto à repetição dos pratos, uma vez que ela só dispunha do reportório tradicional.

Agora quando trago para Lisboa alguma quantidade generosa de algum produto da terra, a primeira coisa que faço é pesquisar na internet e a escolha multiplicou-se porque tenho à minha disposição milhares de receitas em várias línguas. Posso também pesquisar sobre as características nutricionais de cada alimento, ver opções vegetarianas e consultar todo o tipo de dietas. É tão fácil!

Exportar a gastronomia portuguesa

A cozinha portuguesa é de excelente qualidade mas até agora ainda não teve a projecção mundial que lhe é devida. Realmente acredito nisto, depois de ter visitado meia dúzia de países e provado o que se come. Tem de vir alguém de fora para nos dizer isso mesmo? Tem de vir o Chakall e a sua cadela Pulga para nos dizer isso? Exportar a gastronomia portuguesa é um desafio. A internet pode ajudar e muito.

Um dos indicadores da internacionalização de uma gastronomia é ver os franchisings que existem quando estamos fora do país. Além das sandes, dos hambúrguers, das pizas começa a haver alguns fastfoods de comida dita mediterrânica com referências turcas e gregas, de comida chinesa e japonesa. Existe uma cadeia de restaurantes, o Nando’s, que é um exemplo de sucesso mundial que remete para símbolos de identidade portuguesa, como o nosso frango assado com piri-piri e o galo de Barcelos.

O restaurante nasceu na África do Sul, em 1987, e agora está em 30 países nos cinco continentes. Em 2010, a marca Nando’s foi considerada pela revista Advertising Age uma das 30 melhores marcas do mundo.

Com este exemplo creio que existe receptividade para outro tipo de experiências no campo da gastronomia, como o Alentejo – Pão, Azeite e Alho ou o Serra da Estrela, com grande aceitação nos centros comerciais portugueses. O que me surpreendeu foi não encontrar um site das marcas, o que permitiria outro tipo de divulgação e de envolvimento como consumidor.

Outra forma importante de divulgação é feita através de grandes cozinheiros mediáticos, que têm programas na televisão e potenciam os seus resultados com sites bastante completos, que são uma referência para muitas áreas de negócio.

O site do Jamie Oliver ou da Nigella Lawson, que já têm a sua própria linha de produtos e utensílios para a cozinha, vendidos online e gerem uma grande comunidade de fãs.

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