Vidas com Sotaque(s) de Coimbra

Aqui podem ler a entrevista à revista Sotaques.pt, publicada no dia 25 de maio de 2012.

A Lição de Coimbra de Raquel Melo

Coimbra é uma lição para Raquel Melo. Esta gestora de Marketing e comunicação digital aprendeu que respeitar as raízes do passado, da cidade que marcou a sua juventude, é o melhor ponto de partido para olhar para o Futuro. Entrevistamos Raquel Melo para saber como a magia de Coimbra moldou a sua vida, influenciando os seus passos tanto a nível profissional como pessoal. Uma Vida com o Sotaque inconfundível de Coimbra.

P -Raquel Melo, qual é a tua ligação à cidade de Coimbra ?

Coimbra será sempre a minha cidade, porque nasci e cresci em Cantanhede e já em pequena adorava ir a Coimbra. Era uma festa. Cresci a ouvir o fado, a passear pelo Mondego acima, a apreciar uma gastronomia riquíssima e um estilo de vida tranquilo. Quando acabei o curso quis ir para Lisboa, para viver na «capital» e aprender tudo o que podia, mas a minha essência permanece beirã. Vou a Coimbra com a regularidade possível, pois é por lá que está a minha família e é lá que tenho as minhas raízes.

P – O que é que vale a pena conhecer em Coimbra?

R – Tanta coisa! Podemos começar pela Praça da República, que funciona como ponto de encontro dos estudantes, pelo Teatro Académico Gil Vicente ou pela Associação Académica, nem que seja só para tomar um café. A alta de Coimbra envolve toda a parte histórica e académica, como as universidades, a Biblioteca Joanina, a Sé Velha e a Sé Nova e todos os mosteiros e igrejas que só por si merecem uma visita. Depois há as tascas típicas, as varandas com vista para o Mondego e as escadarias do Quebra-costas, o Arco de Almedina…

Adoro passear nas ruas da baixa, porque têm lojas e recantos que não encontramos nos espaços massificados que são os centros comerciais. O Jardim Botânico, o Jardim da Sereia e, mais recentemente, o Parque Verde, a Ponte pedonal e as chamadas Docas de Coimbra são espaços excelentes para passear. Numa visita pela cidade vale a pena procurar os verdadeiros pastéis e queijadas de Tentúgal ou as arrufadas de Coimbra. Não é assim muito fácil encontrá-los porque, na minha opinião, existem muitas imitações de má qualidade… e se faz pouca divulgação da gastronomia das Beiras.

As festividades académicas como a Latada e a Queima das Fitas chamam muito à atenção e são importantes na vida da cidade mas, não querendo ser saudosista… Já não é a mesma coisa. O ano em que deixei Coimbra foi o último em que a Queima se realizou no Jardim Dr Manuel Braga, antes de passar para o outro lado do rio, para o Queimódromo.

P –  Estudaste na Universidade de Coimbra. Como foi essa experiência ?

R – Estudar em Coimbra tem uma mística própria. Pode ser do espírito de grupo, dos jantares académicos, da tradição que tem como objectivo integrar os estudantes ou da simplicidade das pessoas. A própria história da cidade desenvolveu-se lado a lado com a Universidade. Na minha experiência da licenciatura em Jornalismo, o facto de estarmos longe da capital fez com que aproveitássemos sempre todas as oportunidades para aprender mais.

Fez-nos ir à luta, ir a todos os congressos e seminários que apareciam relacionados com a área e a experimentarmos a Rádio Universidade de Coimbra ou o Jornal A Cabra para sentir um pouco da sensação de ser jornalista. Já estudei em Lisboa e o espírito académico não tem nada a ver com Coimbra.

P – O Sotaques Brasil/Portugal aposta na aproximação dos lados cultural e empresarial entre Portugal e o Brasil. Como achas que se poderia aprofundar essa aproximação entre os dois países?

R – Em primeiro lugar, creio que todos os países de língua portuguesa deveriam explorar mais esse factor cultural que têm em comum e a arte, nas suas variadas formas, tem essa característica de aproximar os povos.

Na conjuntura atual de crise, é essencial que as Empresas dos dois países aprofundem as  relações e as parcerias. Assim estimulam a comunicação e confiança entre si e permitem que o volume de negócios entre Portugal e o Brasil possa crescer.

O próprio acordo ortográfico, apesar de não concordar com alguns aspectos, pode ter um efeito extremamente positivo .  Vou dar um exemplo: trabalho numa empresa multinacional que tem delegações em Portugal e no Brasil. Os catálogos são traduzidos nas duas versões de «português». Com o novo acordo, os catálogos de ambos países tiveram de ser totalmente revistos, estão mais parecidos mas ainda não se pode utilizar a mesma versão para Portugal e Brasil. As palavras que permitem as duas grafias também me confundem, acabando por optar sempre por escrever na forma «antiga».

No Marketing, sempre achei que os brasileiros eram muito fortes na comunicação e na criatividade. Acompanho vários meios de comunicação da área digital e as tendências do outro lado do oceano.

P – Podes falar-nos da tua atividade profissional na área da marketing  nas redes sociais ?

R – Trabalhei durante seis anos como jornalista, mas por motivos conjunturais surgiu a oportunidade de dedicar-me ao marketing. Sou gestora de marketing e comunicação numa Empresa multinacional, onde exerço várias funções que vão da redacção das Newsletters semanais, comunicados de imprensa, criação e revisão de textos no Portal, além da manutenção da conta da Empresa no Twitter.

Por outro lado, sou consultora e escrevo para o meu blogue – www.raquelmelo.com – e faço a gestão da respectiva página do Facebook, no Twitter, no Pinterest, etc. Adoro as potencialidades do marketing digital aplicadas às Pequenas e Médias Empresas, de forma que esse foi o tema da minha tese de Mestrado concluído o ano passado.\r\nUma área que pretendo aprofundar é a da Web Analytics e a do SEO Copywriting, porque considero que fazem sentido ao conjugar a minha formação em Jornalismo e em Estatística e gestão de Informação (no ISEGI).

P – Como surgiu a ideia de criares um Blogue nesta área e quais os conteúdos que podemos encontrar nele ?

R – A ideia de criar um Blogue surgiu-me em 2009, numa cadeira de Inovação e criatividade do Mestrado que estava a fazer em Publicidade e Marketing na Escola Superior de Comunicação Social. Quando tive de trocar o jornalismo pelo marketing, profissionalmente, senti necessidade de me manter ligada à escrita, que vejo como uma necessidade vital.

No meu blogue,  encontram ferramentas de marketing na Web, divulgação de eventos na área das tecnologias da informação e comunicação, marketing para PME e outros temas ligados ao empreendedorismo na Internet e nas redes sociais. É um meio que me permite   estar atualizada  com as grandes mudanças que a Internet suscitou nas áreas da comunicação e do marketing a nível global, valorizando-me profissionalmente.

 P – Qual é o teu  Sotaque?

R – O meu sotaque é o do centro do País. Tem piada, porque quando estagiei no Canal Notícias de Lisboa tive de o disfarçar de «lisboeta». Sempre ouvi falar que as pessoas de Coimbra eram as que tinham menos sotaque e vou a ver e digo “Coêlho” e não “Coâlho”, troco os Vs pelos Bs… Atualmente, assumo o meu sotaque beirão. Tem a ver com a minha identidade.

P – Coimbra para ti  é… 

R – Uma cidade acolhedora à qual tenho sempre vontade de regressar. Um porto de abrigo.

Entrevistada por Rui Marques

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