Curiosa por natureza e por formação

Assim que aprendi a falar, acabou o sossego. Nunca mais parei que questionar o mundo e a minha idade dos porquês deve ter sido particularmente difícil para os meus pais. Nas viagem de carro de uma hora ou duas, passava o tempo todo sentada na pontinha do banco traseiro, empoleirada entre os bancos da frente (algo impensável nos dias de hoje) a perguntar: o que é aquilo? Para que serve isto?

Porque é que isto tem de ser assim e não pode ser de outra maneira? Observava tudo com o olhar de quem queria absorver o mundo e ainda não tinha idade para verdades absolutas. Ainda hoje não tenho.

A curiosidade é uma das características que mais me define como pessoa. Queria ser detective, jornalista ou mesmo cientista. Interessava-me por demasiadas coisas, supostamente incompatíveis. Passava longas horas na biblioteca, a tagarelar – para desespero das bibliotecárias. Mas estava sempre lá. A ler os livros de «Uma Aventura», que devorava avidamente assim que eram publicados, a colecção Patrícia, cheia de mistérios e investigações que me serviram para conhecer a história dos Estados Unidos da América (mas alguém lê os livros da Patrícia, sem ser eu?), para não falar das aventuras da Nancy Drew. Na altura, a minha heroína era a Mafalda, de Quino.

A curiosidade é o desejo de ver ou conhecer algo que desconhecemos. O ditado «a curiosidade matou o gato» indica-nos que tentar saber a verdade pode trazer-nos dissabores. O próprio ditado terá origem na Europa da Idade Média, numa altura em que não se gostava de gatos e que se tentava atraí-los para lhes por termo à vida. O paralelo terá sido feito pelas autoridades religiosas de dissuadir os curiosos de procurar o conhecimento científico e contestação das ditas verdades bíblicas. Mesmo a criação de Adão e Eva nos remetem para a condenação da curiosidade por parte da Igreja, quando a mulher incitou o homem a provar o fruto proibido.

Num sentido positivo, a curiosidade impele-nos a querer saber e conhecer sempre mais, a tentar entender os fenómenos através da observação, a colocarmo-nos na pele do outro para compreender a sua visão das coisas. Apuramos os sentidos para obter mais informação sobre aquilo que nos interessa. O lado mais obscuro leva-nos para a curiosidade mesquinha, pelo interesse pela vida alheia. Quem vive(u) numa aldeia sabe bem do que falo.

Recordo-me de histórias de jornalistas em perigo por terem sido curiosos e descoberto aquilo que outros tentaram esconder, para tirar proveito de estratagemas pouco claros. Esses relatos e o amor pela escrita motivaram-me para seguir Jornalismo, na Universidade de Coimbra, bem pertinho de casa.

Anos mais tarde, não satisfeita com a lacuna na minha formação academia de métodos científicos próprios das ciências exactas levaram-me a estudar Estatística e Gestão de Informação, no ISEGI. Quem disse que letras e números não combinam?

Actualmente, trabalho num portal b2b há oito anos e interesso-me pelo Marketing na Internet, pelas especificidades da escrita para o meio online, pelo potencial das técnicas e ferramentas aplicadas aos meios empresariais com necessidades básicas ou mais sofisticadas – como a Gestão de Conteúdos de sites, o email Marketing, a gestão do relacionamento com o cliente (CRM), datamining, marketing one-to-one, só para referir alguns pontos.

A curiosidade acompanha-me no percurso, procurando muitas vezes questionar a realidade tal como fazia aos três anos de idade. Essa curiosidade leva-me a sonhar ser investigadora de profissão.

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